Pucon, o coração do Chile.

O que te chama mais a atenção quando você planeja uma viagem? O local? A comida? Uma atração? Bom, se tratando do Chile, comigo foi um Vulcão. Exatamente o Vulcão Villarrica.
Pucon foi a grande responsável por um incrível mochilão realizado em 2015 para o Chile.
Localizada na Araucanía, a uma distância de 780km da capital Santiago, este balneário conta com uma grande infraestrutura turística, dois terminais terrestres (JAC e TURBUS) e um aeroporto. Badalada e ao mesmo tempo exótica, os chilenos a consideram a Bariloche chilena. Ao meu ponto de vista acho as duas cidades com atmosferas diferentes, e particularmente a chilena me encanta mais.
Sua população ainda não ultrapassou dos 12,000 habitantes, porém não se engane, a cidade vive lotada praticamente o ano inteiro (eu falei LOTADA ok).

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Saindo de Temuco através do Terminal Balmaceda da JAC, o percurso é feito em 2:00 horas e o bilhete custa $ 3,200 – R$ 18,00. As saídas também ocorrem a partir de Santiago e outras cidades. Eu já falei que as estradas do Chile são tranquilas e muito bem sinalizadas, facilitando o acesso para todas as regiões.
A cidade é pequena e muito fácil de ser percorrida a pé ou de bicicleta. Sua Avenida principal é a Bernanrdo O’Higgins, onde concentra o polo gastronômico, hoteleiro, mercados, câmbio e agências turísticas.
Por não possuir praia, turistas e moradores se banham nas águas do lago Villarrica (geladaaaaaaaaaa). Tais “praias” são chamada de La Poza e Playa Blanca.
É PROIBIDO consumir bebida alcoólica fora dos bares. Curiosamente a areia é escura devido à atividade vulcânica da região. As praias são limpas e o que me chamou a atenção, é que as pessoas deixam seu pertences na areia e vão mergulhar (iphone, bolsas, relógios etc). Infelizmente tal prática não é possível de ser realizada no Brasil.

 

A primeira vez que vi a plaquinha de Via de Evacuação fiquei uns 10 minutos parado tentando imaginar para onde deveria correr…  Chegou a ser medonho, mas logo me acostumei com a ideia hahahahahaha.

A concentração de Hostels é grande, o que pode  ajudar a negociar preços antes de escolher onde se acomodar. Cheguei em Pucón com a reserva feita no Hostal Pucon Sur Backpackers. Fui muito bem recebido, quartos espaçosos, limpo e ventilado.

Assim que cheguei, já fui pedir informação na recepção para a indicação de uma agência de turismo onde eu pudesse realizar à ascensão ao Vulcão Villarrica. Logo de cara a host me avisa que o parque nacional entrou em alerta máximo e que o Villarrica estava impossibilitado de receber turistas! Oi? Como assim? Meu mundo caiuuuuuuuuuuu (fiz a Maysa meixmo).
Pera moça, você não ta entendendo! Eu vim até AQUI só pra subir este vulcão (eu já falava chorando, encenando o maior drama da minha vida), pois tinha prometido a minha amiga Thammy Rodrigues que tiraria uma foto no cume como presente do seu aniversário. Não adiantava mais chorar, a host (com muita pena) então me falou que eu poderia conhecer o Vulcão Quetrupillan, então me indicou a agência Politur se tratando como a mais segura para tal passeio.

Como um bom mochileiro, antes de ir na Politur eu passei por várias outras agências pedindo orçamentos. Chegando lá, fui muito bem recebido. A atendente solucionou todas as minhas dúvidas, apresentou inúmeros passeios dentro e fora da cidade e até me consolou pelo Villarrica. Bom, já que eu tava ali, o jeito era finalmente me entregar ao Quetrupillan e ser feliz da maneira que dava para ser.
Na hora do orçamento, apresentei todas as propostas concorrentes e na mesma hora ela cobriu a oferta me oferecendo o pacote do Vulcão + Rafting no rio Trancura. Aceitei de imediato e paguei algo como $ 70 000 – R$ 390,00 em média. Assinei ao termo de responsabilidade, provei os equipamentos e recebi a lista do que levar e vestir.

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Meu Soares virou Suarez hahahaha

Minha jornada ao cume iniciou às 5:30 am com saída da própria agência. O trajeto até o parque demorou algo como 1:30, com direito a cochilos e muita poeira no nariz.
Eu não fazia ideia do que me aguardava, e ao avistar aquela montanha achei que seria moleza (na boa, eu achei), sua atividade vulcânica já tinha sido extinta, e eu achei que já não haveria emoção alguma (voltei ao drama).
Dica/Tip: NUNCA MENOSPREZE A NATUREZA. NEVER! EVER! NUNCA!

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E la vamos nós…

O primeiro desafio foi atravessar esse denso bosque, o que levou uma média de 2:00 de trekking mata adentro. Com paradas de 5 minutos para hidratar a cada 3o m.
Na bagagem, muita água, barra de cereal, frutas, sanduíche, chocolate e amendoim, além dos acessórios e equipamento de apoio. Sim, a mochila estava pesada!

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Isso era apenas um pequeno vale que tinha na frente.

O trajeto de rochas e gelo se tornou extremamente cansativo para o grupo, mas ninguém desistiu. Meu primeiro contato com a neve foi algo bem estranho hahaha, parecia gato quando vai tomar banho, tooodo desconfiado.
A neve é dura, queima a pele no contato e machuca se você escorregar e cair. Atenção redobrada em todo o trecho.

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Selfie de lei ;D
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Depois de quase 5 horas de treckking avistamos o cume \O/

Parecia tão pertinho, mas esse trajeto se tornou o mais hard de todos. Totalmente inclinado, rochoso e perigoso. consumindo todo o estoque de energias que sobravam.

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Finally \O/

EU CONSEGUI! Ufa! Depois de 6 horas finalmente terminou (a subida kkk).
Muitas pessoas me perguntam o que me levou a fazer esse trekking, e ao refletir eu não me arrependo de maneira alguma. Foi amor à primeira vista. Eu precisava extravasar, já que vinha passando por uma fase dark. Acredito na força da natureza e sou muito energético. Eu sei que posso me comunicar com Deus a qualquer hora e em qualquer lugar, mas ali foi algo realmente forte. Foi meu maior contato. Algo que só quem passa pode saber. Também aprendi a respeitar tudo que a natureza nos proporciona.

Depois de algumas horas apreciando a beleza do lugar, hora de descer. A descida leva em média mais 4 horas (muitos trechos são reduzidos por conta do skibunda).

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Sua Cratera era neve pura.

O mais curioso no Quetrupillan, é que ele não possui sua cratera (aquela parte cônica que todo vulcão tem em cima). A explosão foi tão forte que mandou tudo para os ares.
A maioria dos turistas ao descer o Vulcão, vão direto relaxar nas águas termais ao redor da cidade, de fato essa é uma ótima tática, mas como eu tinha escolhido realizar o rafting no outro dia, fui direto descansar.

No dia seguinte, o horário de saída foi às 7:00 am, também saindo da agência. Energia recarregada e tudo certo para mais um incrível dia de aventura. A descida pelo rio leva menos de 2 hora e conta com aventura em todo o trajeto. O mais importante ao realizar rafting é estar sempre atento ao comando do guia e trabalhar sempre em equipe. Qualquer movimento errado irá prejudicar a todos, inclusive pode vir a virar o bote.

(Imagens da Politur e internet)

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Encerrada mais uma aventura, fui caminhar e conhecer o polo gastronômico de Pucon.
Os preços não estavam acessíveis e os restaurantes e pubs sempre lotados.
Achei um menu del dia (refeição econômica com entrada, prato principal e bebida) por $ 7000 – R$ 40,00. De tão cansado que estava sentei e comi. O local escolhido foi o Clube 77, o serviço é de primeira, ambiente confortável e comida bem servida.
O prato servido veio acompanhado de um frango grelhado no limão, purê com curry vermelho e salada. A bebida foi um suco de uma fruta típica que eu não lembro o nome o.O
No dia seguinte fui em busca de uma comida mais regional e obviamente barata. Mais uma vez, por orientação da host, fui bater em um simplório trailer de madeira no meio da estrada, na frente do estádio de futebol da cidade na Av. Colo Colo. O local era muito simples, mas estava cheio, ocupei uma cadeira e logo me foi servido água (eu nem pedi rs). Duas senhoras com traços indígenos cozinhavam e atendia a todos que ali comiam.
Ao perguntar o que teria para o almoço, logo fui convidado a adentrar a pequena cozinha e escolher o que queria comer. O cheiro estava incrível e tudo parecia bom. Me identifiquei como brasileiro e que estava disposto a experimentar o que ela melhor cozinhava. Não me arrependi. Comi cordeiro e frango assado, pastel de choclo (é como uma canjica de milho salgada com carne moída e manjericão), batatas cozidas e salada. Além de toda sensação gastronômica realizada, o amor daquelas senhoras foi o principal ingrediente. Paguei em média $ 4000 – R$ 22,00 por tudo que comi.

– Club 77
Orçamento médio.
Av.Libertador Bernardo O’higgins 635 Teléfono: 045-443427

-Trailer das tias fofinhas
Orçamento baixo.
Av. Colo Colo (Na frente do Estádio de Futebol de Pucon)


Eu já não queria mais sair de Pucon, mas a jornada era longa e outras cidades me aguardavam.
Ao me despedir da cidade, houve um leeeeeeve abalo sísmico realizado pelo Villarrica. O vulcão estava expelindo muita fumaça escura. Deixei a cidade no dia 19/02/15, quando no dia 03/03/15 o Villarrica entrou em erupção. Sinistro.

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O Villarrica tava irado nesse dia.

Essa sem dúvidas, foi uma das cidades mais apaixonantes que passei. Assim como Taxco (México), guardo um apreço imenso, e quem sabe um dia eu volto.

#I ❤Pucon

Cola aqui que o relato pelo Chile ainda não terminou. By, see you soon. 😉

 

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5 comentários sobre “Pucon, o coração do Chile.

  1. Nathali Costa

    Marcelo, adorei o relato e as dicas gastronômicas. Olha só, estou indo em novembro/2017 para o Chile com meu marido e outro casal de amigos, nosso estilo de viagem é econômico e descartamos o aluguel do carro, você teve algum contratempo por não estar de carro? Deixou de fazer algum passeio ?? Fico imaginando se vale a pena dividir o custo do carro para 4 pessoas ao invés de custear os valores dos passeios individuais nas agências.
    O que iremos fazer já certo pela agência é a subida ao Vulcão e talvez o rafting

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    1. Olá Nathali, vocês irão amar o Chile. Bom, não sei se sua duvida diz respeito apenas à Pucon ou a todo o Chile.
      De primeira eu já te adianto que conheci 16 cidades chilenas sem alugar nenhum carro. Todos os destinos foram feitos de ônibus, que aliás vale resaltar, as estradas chilenas são maravilhosas e cada empresa possui uma estação propria em cada cidade. Na grande Santiago você percorre a maioria dos bairros partindo da Plaza de Armas a pé ou se preferir o metrô que é o melhor da América do Sul. Pucon é pequena e em um só dia você a percorre a pé. Todos os passeios devem ser realizado com agências, pois não autorizam a entrada de pessoas aleatorias nos parques nacionais. Em relação aos ônibus, não tive problema com nenhum, apenas fique atenta aos horários. As passagens são baratas e compensadoras.
      De Santiago para Pucon eu fiz uma parada em Temuco (viajando pela noite) por TurBus e de Temuco para Pucon por Jac.
      Te indico fazer o Rafting no rio Trancura, foi incrível. O vulcão façam com CERTEZA!
      Divirtão-se. Xero do Celo.

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      1. Nathali Costa

        Gratidão pela resposta 😀 A dúvida era sobre Pucón mas me deixou ainda mais segura da nossa opção pelo ônibus. No momento estamos prevendo chegar em Santiago e à noite partirmos de ônibus direto para Puerto Varas, ficarmos 02 dias nesta cidade (e conhecer Frutillar tbm), pegar outro ônibus para Pucón – pelas leituras que ando fazendo será o ponto máximo da viagem – e ficarmos 04 dias com o intuito de subir o vulcão, fazer o rafting, conhecer algumas trilhas dos parques e as termas, e voltar para santiago e ficar uns 02 dias antes de voltarmos para Recife (você é daqui tbm?).

        Fizemos váários cálculos e o aluguel do carro (+ gasolina e pedágios) iria consumir grande parte dos nossos recursos, então resolvemos fazer as viagens de ônibus e usar a grana com passeios e outras atividades que nos trouxessem mais prazer hehehe

        Muito bom saber que já deu certo com alguém (numa viagem ainda mais completa como foi a sua).

        Valeeeeeeeeeeeeeeu, Celo!

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